sábado, 8 de fevereiro de 2014

“Se não arriscares nada, estás a arriscar muito mais...”


Hesito. Ouço o eco vazio de uma promessa que fiz e que se repete infinitamente: arrisca, não desistas. Mas o medo é mais forte apesar de saber que estou a sabotar a oportunidade de ser feliz. Porque é que destruímos uma hipótese de construir uma vida melhor só porque temos medo de arriscar? Porque é que preferimos viver num marasmo emocional onde tudo o que resta é a apatia e a indiferença? Quando é que vamos perceber que ao não arriscar nada, estamos a arriscar tudo o que poderíamos ter ou vir a ser? 
É este o modus operandi do ser humano. Desde o dia do nascimento que estamos vivos, mas estaremos mesmo a viver? Ou seremos apenas cadáveres à espera de morrer? Crescemos amarrados a um conjunto de regras e o que acontece a quem se atreve a quebrá-las? Será mais feliz? Atingimos metas e objetivos, trabalhamos para isso, esperando o sucesso, a riqueza e a luxúria. Tenho um sonho, mas quando penso nisso, a probabilidade de falhar é enorme e então resigno-me ao comodismo. É mais fácil viver com segurança, sabendo que amanhã não me espera nenhum abismo. O inesperado e o desconhecido assustam. Assim estás bem
- Vais construir uma família, ter um carro, uma casa, um curso, trabalhar arduamente para sustentar os vícios e depois terás o descanso merecido. – Dizem-me.
E depois vou morrer e nesse momento é que me vou aperceber que deveria ter lutado. Vou arrepender-me de não ter dado azo aos meus sonhos e de ter preferido a conjuntura de normas que escolheram quando eu nasci. Vou ter inveja dos corajosos e perceberei, desgostosa, que não posso voltar atrás e que o tempo terminou. Não há mais oportunidades. Vou desejar poder dar um passo em direção ao abismo, fechar os olhos, respirar fundo e acreditar. Acabou-se. Não arriscaste, perdeste tudo. Perdi muito mais do que o que alcancei.  
Acordo repentinamente com o rádio a tocar Maria Bethânia. 'Debaixo d'água, protegido, salvo, fora de perigo. Aliviado, sem perdão e sem pecado, sem fome, sem frio, sem medo, sem vontade de voltar, mas tinha que respirar'. Percebo que afinal o fim ainda não chegou e que me posso libertar das amarras que me impedem de respirar. Posso encher os pulmões de ar e saltar para o abismo que me espera.

Texto que escrevi para um Campeonato de Escrita Criativa.

                                                                                                     Imagem retirada de sobreavida.com.br

19 comentários:

  1. Wow! Lindo. Parabéns! Está óptimo. Recheado de verdade. Revejo-me nesse texto a 100%. É tão difícil sairmos da nossa zona de conforto.

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    1. Olá Pipe! Obrigada pelo comentário :)
      Também me custa imenso sair da minha zona de conforto, imenso mesmo. Mas aos poucos vamos achando a coragem que está dentro de nós!
      Beijinho*

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  2. Grate blog! If you want to follow let me know)
    Moscow blogger by Marina Maximova
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  3. A casinha é a entrada do Parc Guell. Foi feita pelo Gaudí. E lá dentro é um museu :p

    Este texto fez-me pensar. Somos muitas vezes um espelho daquilo que a sociedade quer de nós. É tão natural sermos assim. Nunca percebemos que estamos a ser levados pelos ideais de outras pessoas e que pomos de lado os nossos. Só passado a nossa vida quase toda é que percebemos que não fizemos grande parte daquilo que queríamos. Mas acho que, assim que nos apercebemos disso, devemos começar a viver. É a nossa oportunidade. É a nossa janela de oportunidade. Esse estado de consciência pode nunca mais aparecer. Podemos nunca mais ter forças para voltar atrás e viver. É a hora de darmos o passo :p

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    1. Obrigada Joana. Agora já sei mais um sítio para potencialmente visitar. :)
      É verdade, às vezes o que nos falta é só mesmo aquele bocadinho de coragem para dar o passo em frente!

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  4. e por ai não ha nenhuma kiko? não sabia :O

    beijinhos querida❤
    Chic Diary

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  5. sê paciente aposto que eles abrem aí uma

    beijinhos querida❤
    Chic Diary

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  6. Fizeste curso de escrita criativa? Beijinhos

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  7. Gostei, tem imensas verdades ditas:)
    Comecei a seguir-te*

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    1. Olá Pedro. Obrigada pela visita, pelo comentário e por 'cá' ficares.
      Beijinho*

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  8. é mesmo isso!...

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  9. Olá Sofy,
    Antes de mais parabéns pelo teu belíssimo texto, :)*
    Há uma razão para existir o medo na nossa vida, muitas vezes é uma defesa para não voltar a cair ou a sofrer porém há uma certeza se não enfrentarmos o medo ou se não sairmos da nossa zona de conforto perdemos a oportunidade de sermos felizes.

    O ser humano é complexo e cada caso é um caso mas viver é reconhecer e vencer os medos que temos e só assim somo felizes.

    beijinhos e boa semana.

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    1. Olá Sérgio.
      Obrigada pelas tuas palavras e por sempre leres os meus textos :)
      Acho que quanto mais vivemos e as circunstâncias da vida nos fazem aperceber que é necessário correr 'riscos' para sermos felizes.
      Boa semana também para ti.
      Beijinhos*

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